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Projeto Baobá 2.0: reforçar a integração profissional de mulheres imigrantes em situação de vulnerabilidade

2026-03-03

O projeto Baobá 2.0, promovido pelo CEPAC, com o financiamento do Banco BPI Fundação "la Caixa" (Prémio Solidário 2025), surge como uma resposta estruturada aos elevados níveis de desemprego e precariedade laboral que afetam mulheres imigrantes em Portugal, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade económica, isolamento social ou em processo de regularização documental.

Dirigido prioritariamente a mulheres imigrantes em desemprego de longa duração, com especial enfoque em mães solteiras, mulheres com filhos em idade pré-escolar e mulheres mais velhas, o projeto pretende combater barreiras como a dificuldade no domínio da língua portuguesa, a baixa literacia digital e o desconhecimento dos mecanismos formais de acesso ao emprego. Muitas destas mulheres enfrentam, ainda, obstáculos acrescidos devido à sua situação documental, sendo frequentemente excluídas do mercado de trabalho por desconhecimento da legislação por parte das entidades empregadoras.

Uma resposta integrada e personalizada

Assente na metodologia de Emprego Apoiado e numa abordagem holística, o Baobá 2.0 combina capacitação sociolaboral, desenvolvimento pessoal e ligação direta ao tecido empresarial. O objetivo central é consolidar competências sociolaborais, educativas e emocionais como pilares essenciais para uma integração profissional sustentável.

O projeto prevê apoiar até 140 mulheres, residentes na Área Metropolitana de Lisboa, onde o CEPAC tem atuação, com um acompanhamento mais intensivo a 40 participantes, através de um diagnóstico individual inicial que definirá um de três percursos personalizados:

  • Capacitação e Formação em Contexto de Trabalho (FCT);

  • Capacitação e integração no Atelier Baobá;

  • Capacitação e integração no Acelerador de Emprego.

Formação, empoderamento e ligação às empresas

Entre as principais atividades, que serão implementadas em longo dos 12 meses de duração do projeto, destacam-se:

  • Formação em língua portuguesa (nível básico e intermédio) e competências digitais;

  • Desenvolvimento de soft skills e competências sociolaborais;

  • Sessões de Design Thinking, promovendo reflexão conjunta sobre desafios e oportunidades no mercado de trabalho;

  • Teatro Playback, ferramenta socioemocional para treino de entrevistas e fortalecimento da autoconfiança;

  • Consultoria de Imagem e Marketing Pessoal, em parceria com a Boutique Bu Gosta, reforçando autoestima e empregabilidade;

  • Formação em Contexto de Trabalho (FCT) em empresas parceiras;

  • Acelerador de Emprego, metodologia inovadora que agiliza a inserção profissional;

  • Workshops e manual de boas práticas para empresas, promovendo ambientes laborais inclusivos e interculturais.

O projeto prevê, ainda, a sensibilização de oito empresas para a importância da diversidade cultural e da inclusão, contribuindo para práticas de recrutamento mais justas e informadas.

Atelier Baobá: economia circular e autonomia financeira

Na sequência do projeto-piloto "Baobá" (2024), apoiado pelo BPI Fundação 'la Caixa', o Atelier Baobá consolidou-se como um espaço de experimentação e aprendizagem, promovendo autonomia financeira através da economia circular.

Nesta nova fase, o Atelier será reforçado com um curso intensivo de costura e técnicas de upcycling, capacitando 20 mulheres e promovendo a reutilização criativa de peças têxteis em parceria com a Boutique Bu Gosta. A iniciativa pretende afirmar-se como um modelo sustentável de negócio social, combinando formação profissional, criatividade e impacto ambiental positivo.

Impacto social com foco na dignidade e autonomia

Os dados mais recentes evidenciam a vulnerabilidade acrescida das mulheres estrangeiras em Portugal, particularmente na faixa etária dos 35 aos 49 anos e com baixos níveis de escolaridade. Perante este cenário, o Baobá 2.0 distingue-se pela sua abordagem centrada na dignidade, empoderamento e autonomia, promovendo não apenas o acesso ao emprego, mas a construção de percursos profissionais estáveis e sustentáveis.

Ao articular capacitação técnica, desenvolvimento emocional e ligação direta às empresas, o projeto pretende gerar mudanças estruturais na vida das participantes, reforçando a sua inclusão social e económica e contribuindo para uma sociedade mais justa e intercultural.