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Da inovação à mudança: soluções com impacto e continuidade

2026-10-14

O CEPAC/CLAIM Lisboa-Estrela participou, dias 7 e 8 de outubro, no Social Innovation Forum (SIF) 2026, em Bruxelas, organizado pela Social Innovation + Initiative. Este Fórum de Inovação Social constitui-se como um espaço europeu de reflexão e partilha de conhecimento sobre inovação social, financiamento, avaliação de impacto e cooperação transnacional.

A nossa participação enquadra-se no trabalho que desenvolvemos na Comunidade de Prática (CoP) para a Integração de Migrantes, à qual pertencemos, que promove a colaboração entre entidades que trabalham nesta área, incentivando a troca de experiências e a identificação de soluções para os desafios da integração.

Num contexto em que os desafios sociais exigem respostas cada vez mais eficazes e sustentáveis, o Fórum constituiu uma oportunidade para conhecer projetos e boas práticas europeias, refletir sobre novas abordagens e identificar oportunidades para o desenvolvimento de iniciativas inovadoras, incluindo através de parcerias internacionais e da captação de financiamento nacional e europeu.

Um dos temas centrais do Fórum foi a necessidade de pensar a inovação social para além de projetos isolados, procurando desenvolver soluções capazes de responder a necessidades concretas, chegar a mais pessoas e produzir mudanças duradouras.

A partilha de experiências de diferentes países europeus destacou a importância de integrar a inovação social nas políticas públicas, através da colaboração entre organizações da sociedade civil, decisores políticos e financiadores. O objetivo é garantir que as soluções com resultados positivos possam ser adaptadas, replicadas e ampliadas, sem depender exclusivamente de equipas específicas ou de ciclos de financiamento de curta duração.

Neste contexto, a avaliação de impacto e a utilização de evidências assumem um papel fundamental. A recolha de dados quantitativos e qualitativos permite compreender melhor os resultados das intervenções, identificar o que funciona e fundamentar decisões sobre o desenvolvimento e financiamento de projetos. Contudo, avaliar o impacto exige tempo, recursos e metodologias adequadas, particularmente quando se trabalha com pessoas em situações de vulnerabilidade ou com percursos de vida marcados pela mobilidade, como acontece com muitas pessoas migrantes.

Os exemplos apresentados demonstraram também que os resultados das intervenções podem variar consoante as necessidades e características dos públicos envolvidos, reforçando a importância de desenhar respostas ajustadas a cada contexto.

Outro dos pontos de destaque foi a importância de envolver as pessoas destinatárias das intervenções em todas as fases dos projetos, desde a identificação das necessidades e o desenho das respostas até à sua implementação e avaliação.

Esta abordagem implica reconhecer as pessoas não apenas como destinatárias de apoio, mas como participantes ativas na construção das soluções. Para que esta participação seja efetiva, é necessário criar espaços de confiança, acolher diferentes perspetivas e estar disponível para integrar contributos que possam desafiar as ideias inicialmente definidas pelas organizações.

A apropriação das soluções pelas pessoas envolvidas e pelas comunidades é, assim, um fator determinante para a sua eficácia e sustentabilidade.

O Fórum permitiu ainda conhecer iniciativas europeias dirigidas a pessoas refugiadas da Ucrânia, com respostas nas áreas da literacia financeira, promoção do bem-estar e saúde mental, integração linguística, empregabilidade e empreendedorismo. Estas experiências evidenciaram o potencial da cooperação entre organizações e serviços locais para desenvolver respostas complementares, adaptadas às necessidades das pessoas e aos recursos existentes em cada território.

A cooperação transnacional foi igualmente um tema relevante ao longo do encontro, tendo sido discutida a possibilidade de esta vir a assumir um papel mais exigente nos futuros mecanismos de financiamento europeu. A partilha de conhecimento entre países permite identificar soluções já testadas, evitar a duplicação de esforços e adaptar boas práticas a diferentes realidades.

Foram também abordadas as prioridades sociais e de financiamento para os próximos anos, com destaque para a prevenção de problemas sociais, a transição no mercado de trabalho, a transformação digital justa e verde e o reforço de medidas de combate à pobreza e de promoção dos direitos sociais.

Neste cenário, torna-se cada vez mais importante que as organizações sociais desenvolvam projetos com uma visão de longo prazo, sustentados por evidências, parcerias sólidas e uma estratégia clara de continuidade e expansão.

A participação no Social Innovation Forum 2026 reforçou a importância de investir na aprendizagem contínua, na colaboração entre organizações e na construção de respostas que combinem conhecimento técnico, participação das pessoas e avaliação de resultados.

Para o CEPAC, este contacto com experiências e perspetivas europeias representa uma oportunidade para reforçar a capacidade de conceber e implementar projetos inovadores na área da integração de pessoas migrantes, explorar novas possibilidades de cooperação e financiamento e contribuir para respostas sociais mais eficazes, inclusivas e sustentáveis.

A inovação social ganha sentido quando se traduz em mudanças concretas na vida das pessoas. É através da colaboração, da partilha de conhecimento e da construção conjunta de soluções que podemos avançar para uma integração mais digna e participada.